diHITT - Notícias Auto Sauer: Embreagem
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terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Parte 4 - Embreagens: verificações que podem ser feitas apenas com a desmontagem do sistema

O tema embreagens é tão extenso que decidimos publicar mais uma matéria sobre o assunto pensando em proporcionar ao reparador maior compreensão e material de apoio em seu dia a dia.

Preparamos esse texto interpretando as imagens disponíveis no pôster Embreagens de A a Z de operação, da SACHS Embreagens, que traz principalmente os problemas que podem ser causados pela má condução do veículo e também pela falta de atenção durante a aplicação do sistema. Pois a maior causa de problemas relacionados à mão de obra se deve a dificuldade dos reparadores em encontrar material didático sobre o assunto. Por isso, o Jornal Oficina Brasil publicou esta série de 4 matérias sobre o assunto.

Não estamos afirmando que toda a culpa de problemas ocorridos no sistema de embreagem seja do reparador, mas para evitar que eles aconteçam, apresentamos informações que facilitem o diagnóstico e a correção de falhas sucedidas durante a instalação de uma embreagem.

Vamos às fotos:

Apesar das fotos (fig.1 e 2) mostrarem quebras em itens distintos, ambas impossibilitam que a embreagem cumpra seu papel, ou seja, aparentemente o veículo está sem embreagem, pois o motorista tenta engatar uma marcha e essa arranha e não engata. As causas para ambos os problemas são as mesmas:


fig.1 - Mola de retrocesso empenada


fig.2 - Quebra do pacote torcional


. motorista que anda em baixas velocidades e marchas muito altas. São aqueles motoristas que trafegam a 30 km/h em 5ª marcha, por exemplo

. bruscas de marcha. A famosa condução esportiva, em que o motorista trafegando em altas velocidades, em 4ª marcha, por exemplo, resolve contornar um esquina e simplesmente reduz para a 2ª marcha

. de partes ou do conjunto, durante o transporte ou instalação. As quedas, mesmo em baixa altura, podem provocar empenamentos de suportes de fixação, trincas em partes internas e outros danos em todas as peças da embreagem

. montagem incorreta do conjunto.

Na figura 6 vemos que as estrias do cubo do disco de embreagem estão totalmente gastas, isso faz com que a embreagem fique totalmente inoperante, confundindo com os problemas descritos acima, mas neste caso a causa é diferente:


fig.6 - Estrias do cubo totalmente desgastadas

. desgaste excessivo no eixo piloto. Normalmente esse desgaste é provocado por trancos, porém a falta de lubrificação do eixo e a entrada de sujeira na caixa seca também contribuem para causar esse desgaste.

As figuras 3, 4 e 5 são muito importantes para compreendermos vários problemas, que podem ocorrer com uma embreagem, pois um garfo desgastado em seus pontos de contato provoca desgastes irregulares nas áreas de contato do rolamento (mancal) e no tubo guia. Esses problemas por sua vez ocasionaram trepidação em saídas, ruídos e até dificuldade/dureza ao acionar o pedal de embreagem. O desgaste no garfo pode ter como causas:


fig.3 - Garfo com desgaste excessivo nos pontos de contato


fig.4 - Desgaste irregular nas áreas de contato do rolamento


fig.5 - Desgaste irregular do tubo guia


. buchas quebradas ou desgastadas. O garfo, fabricado em aço, fica apoiado em buchas de metal mais macio, mas ainda assim metal e apóia o rolamento de embreagem, por isso seus pontos de contato podem sofrer tanto desgaste, quanto o platô e o disco de embreagem

. final de vida útil. Apesar de ser uma peça muito resistente, o garfo também se desgasta, porém em um ritmo diferente do platô e disco, por isso é recomendável sua substituição em todas as trocas de embreagem.

O excesso de curso de acionamento do rolamento de embreagem pode provocar problemas nos rebites do platô e desgaste no cubo do disco, demonstrados nas figuras 7 e 8. Isto não permitirá que o condutor engate as marchas do veículo quando o motor estiver ligado, pois no caso do platô o curso da mola membrana estará prejudicada e no caso do disco, este será forçado de encontro ao volante pelo próprio rolamento, impedindo que fique livre nas trocas de marcha.


fig.8 - Cubo com desgaste


fig.7 - Desgaste irregular do rebite na parte interna do platô


O deslocamento do rolamento de seu suporte, como aparece na figura 9, também impede o engrenamento das marchas, porém neste caso há outros fatores envolvidos além do excesso de curso de seu acionamento, como veremos:

fig.9 - Rolamento separado do suporte


. folga excessiva nas buchas de acionamento do garfo de embreagem. Mais uma vez o garfo gasto torna-se um problema para o sistema

. garfo desalinhado. O garfo de embreagem, devido à temperatura de trabalho, pode ter sua estrutura enfraquecida e realmente torcida devido aos esforços do sistema

. montagem incorreta do rolamento no garfo.

A contaminação por óleo ou graxa é o problema mais fácil de ser verificado, como no disco da figura 10, ele causa patinação e/ou vibração na embreagem, porém só existem duas causas para seu surgimento:

fig.10 - Contaminação com óleo ou graxa


. lubrificação excessiva do eixo piloto. Por isso, é importante não abusar ao lubrificarmos buchas, rolamentos e eixos, que estão dentro da caixa seca. Utilize a graxa à base de bissulfeto de molibdênio com moderação

. vazamento de óleo. Esta é a causa mais trabalhosa para ser solucionada, pois exige, que o motor e o câmbio sejam totalmente verificados quanto a vazamentos, pois o óleo tem uma facilidade muito grande de se espalhar para vários lugares.

Vibrações acompanhadas de barulhos, semelhantes a guizos, são características de molas de torção quebradas ou muito desgastadas, como na figura 11. Esse problema é provocado, quando o motorista utiliza marchas altas em baixas velocidades, nesse instante o motor não consegue vencer as folgas do sistema de transmissão e pequenos trancos são gerados no disco de embreagem danificando-o.

fig.11 - Molas de torção desgastadas/quebradas

Caso o condutor do veículo reclame de barulhos na transmissão e ao desmontar o sistema e não forem visualizadas as molas de torção do disco, ver figura 12, verifique o estado da bucha ou rolamento de apoio da ponta do eixo piloto, que está localizado no centro do munhão traseiro do virabrequim. Problemas deste tipo são comuns de ocorrer após um retifica de motor ou em motores de alta quilometragem.

fig.12 - Molas de tração ausentes

Problemas que envolvem o contato entre o rolamento (ou atuador) e as alavancas, ou mola membrana, do platô, como nos rolamentos e mola menbrana das figuras 13, 14, 15 e 16, invariavelmente implicam em barulhos no acionamento da embreagem, as causas destas avarias geralmente são:

fig.13 - Pista com desgaste


fig.14 - Rolamento fundido


fig.15 - Desgaste nos dedos da mola membrana


fig.16 - Bucha do rolamento desgastada

. curso de acionamento longo demais

. desgaste no tubo guia do rolamento (moringa)

. regulagem incorreta da folga entre o rolamento e os pontos de contato do platô

. garfo de embreagem muito gasto em seus pontos de contato

. motorista que utiliza o pedal de embreagem como apoio para o pé esquerdo, ou seja, permanece com o pé em cima do pedal de embreagem mesmo após ter passado a marcha desejada.

Finalizando um caso que pode confundir muitos mecânicos é o fato de alguns fabricantes de embreagens terem uma linha de remanufaturadas, neste caso o reparador deve ficar atento aos lacres das embalagens e as peças, que lhe são entregues, pois os fabricantes utilizam meios de identificar as peças retrabalhadas na própria empresa, através de códigos em seus itens, inclusive nos rebites das lonas do disco (fig.17), por isso em caso de dúvida não deixe de ligar no 0800 do fabricante.


fig.17 - Disco recondicionado por terceiros

Infelizmente a solução das avarias citadas acima, só será possível com a substituição completa do sistema de embreagem, pois pudemos confirmar que um único problema pode ser causado por vários agentes e pode gerar outros defeitos, por isso muito cuidado ao substituir uma embreagem. Siga corretamente as recomendações dos fabricantes e sempre esclareça suas dúvidas antes de terminar o serviço e entregar o veículo para o cliente.


(Site: www.oficinabrasil.com.br)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Embreagem parte 3


Montagem e problemas mais freqüentes

Para encerrar esta série de matérias sobre embreagens iremos falar um pouco sobre os problemas que podem ocorrer, bem como suas possíveis soluções e formas de testarmos o sistema.

Montando a embreagem

Após diagnosticar e reparar os problemas do veículo e antes de montar um novo kit de embreagem, devemos fazer as últimas verificações que podem evitar muita dor de cabeça para o reparador. Segundo os fabricantes de embreagem, é importante prestar muita atenção aos seguintes itens:

- garfo de embreagem: certificar-se que o mesmo não apresenta excesso de desgaste ou de folga em seu acionamento e verificar se o garfo se movimenta livre em todo seu curso

- retentores: a contaminação das peças por óleo pode provocar patinações nem sempre percebidas pelo motorista, que ocasionaram desgaste prematuro no conjunto de embreagem, portanto, verifique muito bem todos os retentores próximos ao sistema

- volante do motor: apesar de não ser parte integrante da maioria dos kits de embreagem, o volante faz parte do sistema e deve ser criteriosamente verificado com relação a trincas, marcas de super-aquecimento, sulcos e espelhamento. Todos estes problemas devem ser eliminados, seguindo as exigências do fabricante antes da montagem

- tubo guia do rolamento (ou moringa): ele não deve apresentar marcas, amassados e sulcos, pois isto prejudicará o acionamento do mancal. O tubo guia também deve estar centrado e paralelo ao eixo piloto, isso garantira um bom funcionamento

- rolamento ou bucha guia do eixo piloto: a bucha guia quando muito seca ou com folga provoca ruído perceptível apenas em saídas com o veículo. Já o rolamento danificado impede que o condutor consiga debrear o veículo, dificultando a troca de marchas, também é fonte de ruídos, em alguns casos pode desalinhar o eixo piloto, destruindo o amortecimento torcional do disco de embreagem

Em todos os casos se for verificado qualquer problema com os itens citados acima, estes devem ser substituídos. E lembre-se: a montagem de qualquer sistema de embreagem deve seguir a recomendação do fabricante das peças.

Problemas e soluções

Mesmo prestando muita atenção nesse item, alguns problemas teimam em reaparecer. Veremos a seguir quais têm a maior incidência de reclamação nas oficinas reparadoras, bem como suas possíveis soluções.

Trepidação: veja alguns fatores que pode ocasionar

- lonas impregnadas de óleo ou graxa: isso pode ocorrer por excesso de graxa na lubrificação do sistema, vazamento de graxa do rolamento, de óleo pelos retentores do motor, do eixo piloto ou do sistema de acionamento hidráulico. A solução do problema será eliminar os focos de vazamento, substituir o disco de embreagem e limpar o platô

- coxins danificados ou deslocados: estes devem ser montados corretamente ou substituídos

- motor desregulado: o sistema de admissão (carburador ou injeção) e ignição devem ser regulados

- disco de embreagem errado: deve ser trocado

- platô danificado: substituí-lo

- acelerador duro: verificar cabo e acionamento entre o mancal das borboletas e o pedal do acelerador. Lubrifique ou substitua esses itens

- embreagem dura: verifique tubo guia, cilindro mestre, cilindro escravo ou atuador, cabo de embreagem e mancais. Se ainda tiver condições, repare as peças danificadas ou substitua-as

Patinação:

- montagem ou desmontagem incorretas do platô causa deformação de sua tampa, mola membrana ou alavanca. O problema será resolvido montando corretamente uma peça nova

- vazamentos de óleo ou graxa na região da embreagem certamente contaminará o revestimento do disco, que deverá ser substituído e fazer a limpeza de todo sistema

- problemas no acionamento hidráulico, acionamento do pedal emperrado, folga muito pequena entre o rolamento e o platô, fazem com que a embreagem trabalhe enforcada. A melhor solução para esse caso é revisar todo o sistema de acionamento substituindo componentes se houver necessidade e regular a folga do rolamento conforme recomendado pelo fabricante

- desgaste natural do revestimento (lonas) do disco e uso incorreto da embreagem promoverá um desgaste acentuado no revestimento do disco, que deverá ser substituído, e se necessário, troque também o platô e retifique o volante do motor

- retífica incorreta do volante, deixando a diferença entre o assentamento do platô e da superfície de atrito fora da especificação do fabricante, isso requer uma nova retífica na área de assentamento ou substituição do volante

- além de todos os itens já citados, conduzir o veículo de maneira errada, pode causar superaquecimento. Só será resolvido com a substituição de todo o kit e sangria do sistema

- volante do motor com sulcos, pequenas trincas ou vitrificado (espelhado) deve ser retificado.

Ruídos:

- rolamento de embreagem sem procedência, seco ou montado de maneira incorreta, obriga a retirada do câmbio para que seja substituído ou reparado

- aplicação de disco incorreto pode ocasionar incompatibilidade entre o sistema de amortecimento do disco e o sistema de transmissão do veículo. Como solução, é recomendado que seja aplicado o disco correto do veículo

- rolamento ou bucha guia do eixo piloto ausentes ou montados sem lubrificação, devem ser reparados ou substituídos

- platô desbalanceado deve ser substituído, se necessário substitua o disco também

- o uso inapropriado do veículo pode danificar o amortecimento do disco, que deverá ser trocado

Disco não é liberado:

- rolamento ou bucha guia do eixo piloto ausentes ou montados sem lubrificação, devem ser reparados ou substituídos

- transporte e armazenamento incorreto causa empenamento do disco, que deverá ser substituído

- disco de embreagem muito grosso, deve ser trocado

- disco de embreagem empenado, deve ser substituído

- veículos que permanecem muito tempo parados podem colar o disco de embreagem entre o volante e o platô, se houver perda de material do disco, este deve ser substituído, caso contrário uma boa limpeza com uma lixa deve ser realizada nas superfícies de contato do disco, volante e platô

- o recuo insuficiente da placa de pressão do platô pode ter como causas: excesso de folga no acionamento do rolamento problemas no circuito de acionamento hidráulico erro na montagem do platô deformação na mola membrana durante a montagem do motor com o câmbio excesso de curso no acionamento da embreagem ou cubo do disco deformado. Na solução desse caso é necessário revisar praticamente todo o sistema, pois há muitas variáveis que podem confundir o reparador.

Como podemos perceber, alguns problemas são causados pelos mesmos fatores, o que pode até acumulá-los, por isso não se esqueça de questionar o cliente e revisar criteriosamente todos os componentes do sistema. Só monte o sistema de embreagem, quando tiver plena certeza de que todo o conjunto trabalhará harmoniosamente.

Esse material foi preparado usando como base os catálogos e informativos técnicos da ZF SACHS e da Luk. Além de seguir essas dicas e instruções não deixe de usar os equipamentos de proteção pessoal, como luvas, óculos e botas de segurança.



Esta peça foi recondicionada sem critério, o que ocasionou desgaste e quebra prematura de seu material de atrito


Conjunto retirado de um veículo, preventivamente, mas já apresentando danos no platô e no volante


Tubo guia do rolamento com marcas causa dificuldade de engate, por isso é recomendável a sua substituição em todas as trocas de embreagem


Empenamento do disco ou platô faz com que o atrito entre o disco e volante seja irregular causando patinação da embreagem


O excesso de poeira travou o rolamento de embreagem danificando as unhas da mola membrana do platô



A falta de atenção do motorista aos sinais de desgaste da embreagem pode proporcionar surpresas desagradáveis no momento da reparação


Sempre que possível, utilize ferramentas para alinhar o conjunto de embreagem durante a montagem


Danos por excesso de curso podem aparecer logo após a montagem ou demorar muito tempo para serem detectados


Vemos claramente o material de atrito do disco, que foi desgastado tão rapidamente que não houve tempo de ser dissipado

Este sistema ficou pré-acionado e uma subida de serra (aproximadamente 70 km) comprometeu todo o conjunto


A retífica do volante é obrigatória no caso de sulcos em sua superfície, porém devemos ficar atentos a espessura mínima determinada pelo fabricante

A coloração azulada deste volante foi resultado da patinação causada pelo vazamento de óleo do retentor traseiro do virabrequim



Nesta imagem, vemos o platô pré-acionado e o material de atrito do disco de embreagem


A ferrugem causada pela falta de utilização do veículo comprometeu irremediavelmente este disco de embreagem

(Oficina Brasil)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Embreagem – parte 2

Saiba como diagnosticar problemas

Reparadores reconhecem que, diante de alguns problemas mecânicos, uma boa conversa com o cliente muitas vezes representa 50% da identificação do diagnóstico. Esse, sem dúvida, é o caso da embreagem, em que hábitos de condução e utilização do veículo podem determinar problemas e desgaste prematuro.

Com base nessa realidade, na edição deste mês, preparamos para você uma matéria que irá auxiliar o reparador na hora de abordar e formular perguntas para ajudar no diagnóstico de possíveis problemas no sistema de embreagem. Leia com atenção e veja como realizar essa tarefa em sua oficina.

Antes da desmontgem:
o diálogo que define a manutenção

Depois do pneu, a embreagem é o item com maior desgaste em um veículo, (tirando os componentes de suspensão, pois, na maioria dos casos, são danificados pelas vias públicas, não por fadiga natural), e quando um veículo chega à oficina com esse tipo de problema, devemos analisar os fatores que podem causar esses defeitos.

É preciso formular algumas perguntas para o proprietário do veículo, tais como:

1. quais são os problemas que a embreagem apresenta?

Essa resposta servirá para identificar trepidação, patinação, dificuldade de engate, dureza na operação do pedal, barulhos no sistema, entre outros.

2. o veículo passou por algum serviço no sistema de embreagem? Se sim, qual? Há quanto tempo? Em qual quilometragem?

Nesse caso, será possível identificar um provável problema de mão-de-obra.

3. qual é a quilometragem apresentada no hodômetro?

Como essa informação pode ser adulterada, ela serve apenas como referência.

Quilometragem muito alta pode indicar desgaste natural da peça, facilmente resolvido com sua substituição. Entretanto, quando o veículo se encontra abaixo dos 40.000 km, os problemas podem ser desde uma montagem errada da embreagem anterior até partes do veículo que, a princípio, não apresentam relação com o sistema de embreagem.

4. em que situação o veículo é mais utilizado?

Se em trajeto urbano, os danos na embreagem podem ser maiores. Se o veículo é utilizado apenas aos fins de semana, pode indicar que o motorista possui pouca prática ao volante. Táxis, devido ao trabalho diário, sofrem um desgaste acentuado em seu sistema de embreagem.

5. quem é o principal motorista do veículo?

Sabemos que motoristas mais jovens tendem a ser mais afobados no uso do automóvel, acelerando o desgaste da embreagem. Sapatos de saltos altos podem ajudar na dificuldade no controle do pedal de embreagem. Idosos, em geral, possuem menos reflexo, por isso podem danificar a embreagem mais rapidamente.

Fatores extras:

Há ainda outros fatores que podem influenciar na vida útil de uma embreagem como:

1 - o trajeto que o veículo percorre, pois muitas subidas ou saídas de edifícios podem forçar todo o conjunto

2 - pesos desnecessários no porta-malas como: mangueiras, galões de água, ferramentas, sacolas com roupas enfim, o que não for necessário carregar deve ser deixado em casa, pois ajuda na deterioração do sistema.

Dica

Uma dica importante é posicionar-se no banco do passageiro e observar o condutor dirigir, pode ser o mesmo percurso utilizado para o teste dos veículos que saem da oficina.

Esses procedimentos servem para observar vícios ao volante como: descansar o pé esquerdo sobre o pedal de embreagem, rodar em sobremarcha &ndash utilizar uma marcha muito alta para a rotação que o motor do veículo esteja trabalhando &ndash, esticar a rotação antes de trocar a marcha, segurar o veículo em ladeiras apenas na embreagem e acelerador.

Com essas informações, podemos orientar o cliente sobre os pontos em que há problemas na condução do veículo, que causam danos e desgaste prematuro não apenas na embreagem, mas também em outros sistemas do carro.

Desmontagem

A desmontagem é uma parte importante na reparação, pois quando realizada de forma inadequada pode causar sérios danos que ocultarão os problemas reais do sistema.

Mesmo parecendo um procedimento de rotina, não deixaremos de relacionar alguns métodos que auxiliam em uma boa reparação. Veja abaixo:

1. desligue o cabo negativo da bateria

2. solte e retire o motor de arranque do veículo

3. solte as hastes de acionamento da transmissão

4. levante o veículo em um elevador, isso facilitará o trabalho

5. retire protetores de motor ou cárter, quando houver

6. apóie o motor e câmbio com cavaletes apropriados

7. solte e retire os semi-eixos do câmbio, em veículos com tração dianteira, ou o cardan para tração traseira

8. desconecte quaisquer chicotes ou cabos que sejam ligados ao câmbio, atualmente é comum que os sensores de velocidade sejam alojados no câmbio, bem como o sensor de marcha à ré

9. desligue as conexões do atuador hidráulico, cuidado para que o fluido não suje o chão da oficina. Ou desencaixe o cabo de acionamento de embreagem, deixando o garfo de acionamento livre

10. solte os parafusos que fixam a transmissão ao motor do veículo, sempre em cruz

11. retire o câmbio

12. solte os parafusos do platô, também em cruz, isso evita que a peça empene.

Esses itens são apenas uma noção de procedimentos que podem ser seguidos, porém, nem todos os reparadores concordam com esses passos. Entretanto, seguindo essa lista, a maioria das embreagens poderá ser retirada e ficará intacta para as análises futuras.

Após desmontar o sistema
Antes de limpar as peças, devemos analisar alguns itens como:

Existência de partes quebradas que podem denunciar trancos na transmissão, por sua vez, transmitidos para a embreagem

Ferrugem no eixo piloto e no cubo do disco de embreagem: essa é a maior causa de dificuldade no engate da 1ª e da marcha à ré

Impregnação do disco por óleo ou graxa: isso causa patinação e superaquecimento das peças em contato.

Com todas as peças limpas e disponíveis para análise, podemos detectar:

Azulamento de platô ou disco de embreagem demonstram superaquecimento das peças, ou seja, o sistema ficou pré-acionado, e isso pode ser causado pelo condutor

Sulcos na face do volante e do platô, sinal evidente de que houve contato entre essas peças e os arrebites do disco, indicando final de vida útil da embreagem

Fissuras na superfície do volante ou do platô são outro indício de aquecimento

Desgaste acentuado na mola membrana, alavanca de acionamento ou anel de debreagem, indicam problemas de engripamento ou desalinhamento no rolamento ou atuador hidráulico

Molas de retrocesso tortas, empenadas ou quebradas, causam perda de pressão, levando à patinação do sistema

Tubo guia de embreagem desgastado promove o acionamento deficiente do rolamento

Garfo de acionamento torto ou desgastado não permite que o platô seja desacionado totalmente, o que pode causar trancos em arrancadas ou trocas de marcha, assim como suas buchas em más condições podem causar problemas similares

Cabos de embreagem devem ser testados, sempre flexionados, quanto ao seu acionamento

Fique atento ao rolamento da ponta do virabrequim, este é responsável por manter o eixo piloto alinhado

O disco, que deve ser verificado quanto a empenamentos

Acionador ou rolamento que devem ser verificados quanto a vazamentos e engripamentos

Confira se todas as guias da transmissão estão nos lugares

Olhe o nível de óleo da transmissão, pois é um item importante para evitar que o câmbio trave.

Na próxima edição, falaremos a respeito da montagem, dos problemas e também sobre possíveis correções. E lembre-se: o diálogo entre o reparador e o dono do carro é essencial na hora da manutenção de um veículo.



Volantes bimassa não devem sofrer retrabalho para não comprometer a segurança


Um volante bem retificado não deve ficar com aparência espelhada pois, nesse caso, provocaria patinações na embreagem



Sistemas de embreagem para utilitários extra-pesados


Peças impregnadas de graxa devido ao excesso de lubrificante aplicado


Para manter a rugosidade necessária ao bom funcionamento da embreagem, a retífica do volante deve ser feita com pedra



Os bólidos de Fórmula 1 utilizam embreagens com multi-discos, pois esse arranjo possibilita uma superfície maior com um diâmetro menor


O cabo de embreagem deverá estar curvado, para que seus testes sejam realizados


Marcas irregulares no volante e platô indicam desalinhamento do conjunto


Excesso de curso no acionamento ou desalinhamento no mesmo pode causar quebras na mola membrana


Este volante foi substituído, porque mesmo após a retífica, ficaram evidentes as marcas de superaquecimento


Embreagens de cerâmica são fabricadas com pastilhas sintéticas e exigem superfície de contato mais duras tanto no volante quanto no platô


Embreagens bi-disco equipa a maioria dos veículos pesados devido a maior área de contato


Em platôs da linha pesada, algumas peças devem ser reguladas assegurando que o seu funcionamento seja perfeito


Atualmente, apenas a linha pesada utiliza platôs com alavanca


As embreagens multi-disco podem apresentar desenhos muito diferentes


As embreagens de competição geralmente são balanceadas com o volante exigindo que sejam montadas na posição correta

A entrada de água na caixa seca provoca a formação de ferrugem nas peças do sistema, prejudicando todo o seu funcionamento

Sistema de Embreagem - Parte - 1


Componentes do sistema

O disco de embreagem é composto por:

• revestimento: esse pode ser de material orgânico, conhecido como lona, ou de material sintético, chamado de revestimento cerâmico;

• disco de retenção, fabricado de aço;

• molas de guarnição de aço com têmpera especial;

• molas de torção (nem todo disco as possui);

• cubo: geralmente fabricado de aço estampado;

• disco de torção: também de aço como o de retenção;

• rebites.

O platô conta com os seguintes componentes:

• carcaça: por muito tempo, foi produzida de ferro fundido (que ainda permanece na linha pesada), porém, está sendo substituída pelo aço estampado, amplamente aplicado na linha leve;

• mola de retrocesso: feita de aço especial para manter a sua ação durante toda a vida útil do platô;

• mola membrana: fabricada de aço de alta resistência por causa de sua forma, o platô conhecido como chapéu chinês;

• alavanca: toda de aço conhecida como gafanhoto;

• mola de acionamento: por seu trabalho constante, é produzida de aço;

• anel de articulação: pode ser feito de diversos materiais, sendo o cobre o mais utilizado;

• placa de pressão: conformada de aço.

O platô, em grande parte dos sistemas, é acionado por um rolamento ou por um atuador hidráulico que substitui o rolamento, e isso permite que o acionamento da embreagem seja feito com o motor e a transmissão em movimento sem desgastá-los prematuramente.

Em sistemas que contam com rolamento de embreagem, este geralmente trabalha em cima de um tubo guia, fabricado de metal, que em alguns casos pode ser confeccionado de plástico de alta resistência.

Em sistemas em que o acionamento é hidráulico, existe um cilindro mestre de embreagem e suas mangueiras de condução são ligadas ao atuador hidráulico, ou ao cilindro auxiliar.

Outro componente do sistema de embreagem é o volante do motor que, apesar de fazer parte dele, depende do bom acoplamento da embreagem. Essa peça é fabricada de aço e passa por um processo de balanceamento.

Função

A função básica de uma embreagem é fazer a ligação entre o motor e a transmissão do veículo, permitindo que em trocas de marchas o acoplamento e o desacoplamento entre ambos sejam feitos de maneira suave, transmitindo integralmente o torque do motor para a transmissão.

Contudo, há uma outra função pouco conhecida: a de atuar como um amortecedor de vibração diminuindo os ruídos gerados no sistema de transmissão.

Descreveremos sobre a função de cada item do sistema de embreagem:

• o revestimento do disco tem a função de aderir, com o maior atrito possível, ao volante do motor evitando que haja patinação entre ambos;

• o disco de retenção é responsável por manter as molas torcionais em seu lugar correto;

• as molas de guarnição auxiliam o platô na tarefa de manter a tensão entre o disco e o volante e absorvem parte das vibrações oriundas do câmbio;

• molas de torção, ou torcionais, são as que absorvem o tranco causado no primeiro contato entre o volante do motor, em funcionamento, e o disco de embreagem;

• o cubo transmite o torque gerado no motor e capturado pelos outros componentes do disco para o eixo piloto da transmissão;

• o disco de torção limita a flexão das molas de torção, impedindo que se danifiquem rapidamente;

• os rebites fixam várias peças do disco de embreagem>

As partes de um platô:

• a carcaça deve ser a base do platô, pois é nela que as outras peças irão se fixar e poderão trabalhar;

• a mola de retrocesso é a verdadeira responsável pela pressão exercida entre a placa de pressão e o disco de embreagem;

• a mola membrana e o conjunto alavanca/mola de acionamento têm a função de liberar a pressão exercida sobre o disco pelo platô;

• o anel de articulação facilita o acionamento e o desacionamento da mola membrana;

• a placa de pressão é responsável por manter a pressão exercida pelas molas de retrocesso, uniforme em toda a superfície do disco.

O cabo de aço tem a função de puxar o garfo de acionamento do rolamento, que por sua vez é responsável por permitir que o platô não seja acionado, mantendo seu movimento rotacional.

O acionamento hidráulico pode atuar diretamente sobre o platô no lugar do rolamento, ou atuar sobre o garfo empurrando o rolamento para que cumpra a sua função sobre o platô. Esse está substituindo o sistema de acionamento mecânico.

O volante é um caso à parte, pois há modelos que utilizam o volante maciço e modelos bimassa, e sua função principal é servir de acumulador de energia cinética e fornecer uma base para que o disco de embreagem possa captar o torque do motor e repassá-lo para a transmissão.

O volante maciço, por ser geralmente fabricado em uma única peça, pode, inclusive, ser retificado várias vezes durante sua vida útil. Entretanto, o volante bimassa possui molas e contrapesos que são desenvolvidos conforme a aplicação de cada motor, esse sistema tem a função de suavizar o funcionamento do motor, mas não pode ser retificado, em caso de danos deve ser substituído. O volante bimassa pode ser reconhecido facilmente por ser mais grosso que o convencional. Atualmente, sua utilização está em expansão em todas as linhas: leve, média e pesada.

Funcionamento

O atrito entre o volante e o disco que é pressionado pelo platô faz com que o torque do motor seja passado para o sistema de transmissão. A compreensão desse princípio é fundamental para se entender uma série de problemas que veremos.

Para começarmos a entender o funcionamento da embreagem, devemos saber que uma embreagem está totalmente acionada quando o platô estiver exercendo pressão máxima em cima do disco de embreagem e do volante, por isso falamos que debreamos ao pisar no pedal de embreagem.

Todo o processo se inicia quando o pedal de embreagem é pressionado, esse movimento é transmitido pelo cabo, ou varão de embreagem, até o garfo do rolamento, que pressionará a mola membrana, ou alavancas, do platô. Isso fará com que o disco de embreagem seja liberado e, dessa maneira, o torque do motor deixa de ser transmitido ao câmbio.

Nesse momento, é criada uma diferença de rotação entre o motor do veículo e seu sistema de transmissão, por isso, quando soltamos o pedal de embreagem, devemos fazê-lo de forma suave e progressiva, a fim de equalizarmos as rotações e evitarmos trancos ou patinação excessiva.

O sistema hidráulico funciona da mesma maneira, mas quem irá conduzir a força exercida no pedal de embreagem e no cilindro mestre será o fluido, geralmente de freio, fazendo com que esse tipo de acionamento seja mais leve e torne as vibrações menos perceptíveis. Esse sistema, na maioria dos casos, aproveita o reservatório do fluido de freio para suprir sua necessidade, mas os que têm um reservatório dedicado facilita a manutenção.

O volante, assim como os outros componentes do sistema, deve estar em perfeitas condições, alinhado e balanceado com a rugosidade em contato do disco de embreagem.

Na próxima edição, acompanhe a continuação desse tema tão importante. Nela, falaremos sobre os problemas que uma embreagem pode apresentar e suas prováveis soluções.