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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Profissionais ainda ganham dinheiro na reparação de carburadores

Mesmo com inovações em estratégias de vendas e especialização nas mais diversas técnicas de injeção eletrônica, empresas ainda ganham dinheiro com os carburadores.


Os carburadores se tornaram antiquados com a chegada carros com sistemas de injeção eletrônica que proporcionaram redução do desperdício de combustíveis, da emissão de gases poluentes, entre outras vantagens. Por outro lado, muitos profissionais ainda sobrevivem com a manutenção e reparação de carburadores e estão acostumados a trabalharem com mais ferramentas, calibradores, manuais e tabelas do que exigem os sistemas de injeção eletrônica.

Como e o caso de José Antonio da Silva, conhecido como "Zé do Carburador" &ndash também o nome a sua empresa &ndash trabalha nesse ramo há mais de 15 anos. Sua oficina está localizada em São Gonçalo, no Rio de Janeiro e é uma das principais especializadas na reparação da peça, atendendo cerca de 100 veículos por mês. Silva conta que busca sempre a satisfação do cliente, porque essa é a melhor forma de divulgação de seus serviços. "A maioria dos meus clientes chega aqui na oficina por indicação, a melhor propaganda é aquela que os clientes falam bem de mim", relata.

Ele começou a trabalhar com carburadores por influência de seu pai e, posteriormente, fez alguns cursos de especialização no SENAI e em outras instituições para buscar informações mais detalhadas e técnicas sobre carburadores. O reparador assiste palestras realizadas em sua cidade periodicamente para manter-se atualizado sobre novas tecnologias e técnicas. "Essas palestras são importantes porque muitas vezes o instrutor fala alguma coisa que muda completamente a nossa forma de pensar, a respeito de um reparo", diz.

Além dos serviços de reparação o mecânico faz também embuchamento, torneia agulhas e fabrica outras peças. "A gente faz todo o tipo de serviços de restauração em carburadores e dificilmente perdemos um aqui na oficina, a não ser que ele esteja bem destruído". Ele afirma que em casos extremos não vale à pena fazer o serviço, pois o cliente gastará dinheiro para algo que não durará muito tempo. Para ele muitos mecânicos, por não terem conhecimento e experiência, acabam realizando um serviço sem qualidade e fazem com que os clientes tenham que gastar muito dinheiro desnecessariamente. "Alguns consertam o carburador lavando-o com gasolina, aí estragam um sensor elétrico, cortam, jogam fora e acham que aquilo não presta e fazem o serviço de qualquer jeito", explica Zé.

Por casos como este, o reparador conta, que muitos carros chegam à sua oficina com danos quase que irreparáveis. Ele conta que certa vez um cliente chegou à oficina com uma VW Parati que tinha passado por uma instalação de kit de combustível a gás. O profissional que fez o serviço estragou a marcha lenta do carburador ao perfurá-lo colocando a tubulação do combustível. "Quando o carro chegou aqui para o reparo eu vi que além do problema ele estava com um carburador de um Chevrolet Monza", conta Zé. Nesse momento ele afirma que é preciso passar segurança ao cliente e mostrar o que há de errado e quais serão os procedimentos corretos para o reparo.

Com relação à demanda para conserto de carburadores, o reparador acredita que a tendência é que haja uma diminuição, não só pelos novos carros que entram em circulação, mas também pela grande dificuldade encontrada com relação às peças de reposição. Ele relata que "não se acha mais material, como válvula desafogadora, por exemplo, muitas peças têm que ser fabricadas por nós mesmos".

O reparador Gilmar Rezende, da Giba Carburadores, faz recondicionamento da peça além de fabricar e revender uma vasta lista de equipamentos, como ventures e difusores para os carburadores. A empresa, que foi fundada em 1986, conta com uma equipe de 20 funcionários entre a oficina e a loja de peças para carburadores. Ele acredita que é possível encontrar uma grande demanda fora das grandes cidades onde há uma comercialização menor de carros novos e os mais antigos são mais utilizados. "No interior de São Paulo, Rio de Janeiro e outros estados vizinhos a demanda é maior e a aceitação é muito boa. O mecânico que atua nos grandes centros encontra dificuldades", diz Gilmar.

A empresa possui clientes em diversas cidades de praticamente todos os estados do país e amplia seus contatos com ações estratégicas de relacionamento. Gilmar conta que participa de feiras e eventos do setor, como a Automec, além de investir em ações de publicidade, com anúncios em veículos de comunicação especializados de distribuição nacional. "Com essas ações conseguimos conquistar uma carteira de clientes solidificada", relata.

A Giba Carburadores também terceiriza serviços para outras oficinas. "Muitas oficinas trazem os carburadores para nós, para recondicionarmos o sistema por conhecerem nossa experiência", diz Gilmar.

Há também as empresas que se dedicam apenas para a reposição de peças. Com experiência de 17 anos no ramo, Rafael Dagobeto, proprietário da SBA Carburadores, trabalha exclusivamente com a remanufatura e distribuição de peças para carburadores. A empresa é conhecida pelos serviços de restauração da peça para carros antigos. "Muitos colecionadores nos procuram porque somos especializados na produção de peças sob encomenda para esses tipos de veículos", afirma Dagoberto.

Para sobressair nesse mercado a empresa encontrou na internet uma forma de aumentar o fluxo de vendas. Grande parte das compras é feita online, abrindo a possibilidade de vender para clientes de outras cidades e estados. Dagoberto conclui "esse é um mercado que está afunilando aos poucos e só continuarão aqueles que oferecem serviços diferenciados".

(Jornal - Oficina Brasil)

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Carburadores Edelbrock




Dois carburadores montados em cima de um BLOWER


Montado num motor V8 Ford


Sistema Quadrijet


Dois carburadores montados no coletor duplo


Montados com filtro


Modelo cromado

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Carburador - Parte 2


Weber 40 DCOE

Weber 40 montado em um motor de um Opel Kadett Europeu (Nosso Chevette)


Coletor para dois carburadores Weber - (Dupla Weber)


Fusca com dupla carburação Weber

Carburador o "Coração do carro"

A idéia que existe por trás de um motor é queimar gasolina para criar pressão e então transformar esta pressão em movimento. É necessária uma quantidade muito pequena de gasolina durante cada ciclo de combustão. Tudo o que a combustão precisa é de algo em torno de 10 miligramas de gasolina por curso de combustão!

O objetivo de um carburador é misturar a quantidade certa de gasolina ou álcool com o ar para que o motor funcione de maneira adequada. Caso não haja combustível suficiente misturado com o ar, o motor "fica pobre" e poderá não dar a partida ou pode ser danificado. Caso haja muito combustível misturado com o ar, o motor "fica rico" e também pode ser que não pegue, faz fumaça preta, funciona mal (afoga facilmente, morre) ou, no mínimo, desperdiça combustível. O carburador tem a missão de fazer a mistura correta.

Nos carros novos, a injeção de combuatível está se tornando quase universal, já que proporciona menor consumo de combustível e reduz as emissões. Mas quase todos os carros mais antigos e equipamentos pequenos, como cortadores de grama e motoserras, usam carburadores, porque eles são simples e baratos.

O carburador de uma motoserra é um bom exemplo, porque é bem simples. Aliás, mais do que a maioria dos carburadores ele precisa atender a três condições apenas:

  • ele tem que fazer o motor funcionar mesmo sob baixas temperaturas
  • ele precisa funcionar quando o motor estiver em marcha-lenta
  • ele precisa funcionar com o motor aceleração plena
Ninguém que opera uma motosserra está interessado em transiência entre a marcha-lenta e o acelerador todo aberto, portanto a diferença de desempenho gradual entre esses dois extremos não é muito importante. Em um carro, todas as faixas intermediárias são importantes e é por isso que o carburador dos carros é muito mais complexo.

Você pode ver um carburador de motosserra nas duas fotos a seguir:


Aqui estão as peças de um carburador:

  • um carburador é, essencialmente, um tubo;
  • há uma chapa ajustável atravessada no tubo chamada borboleta de aceleração, que controla quanto de ar pode fluir através do tubo. Você pode ver a borboleta ou válvula circular de latão na foto 1;
  • há um estreitamento em determinado ponto do tubo, chamado venturi, em que nesse estreitamento é criado uma depressão. O venturi está visível na foto 2;
  • neste estreitamento, há um orifício, chamado glicê (do francês gicleur), que permite a vazão do combustível sugado pela depressão. Você pode ver o glicê na lateral esquerda do venturi na foto 2.

O carburador está operando "normalmente" quando em aceleração máxima. Nesse caso, a borboleta está paralela ao tubo em seu comprimento, permitindo que o máximo de ar flua através do carburador. O fluxo de ar cria uma boa depressão no venturi e há uma dada vazão de combustível através do glicê. Você pode ver um par de parafusos na parte superior direita do carburador na foto 1. Um destes parafusos (identificado como "Hi" (alta, principal), no caso da motosserra) controla quanto de combustível flui para dentro do venturi na aceleração máxima.

Quando o motor está em marcha-lenta, a borboleta de aceleração está quase fechada (a posição dela nas fotos é a de marcha-lenta). Não há ar suficiente fluindo através do venturi para criar depressão. Entretanto, na parte de trás da borboleta há bastante depressão (porque ela está restringindo o fluxo de ar). Se um pequeno orifício for feito na lateral do tubo do carburador exatamente atrás da borboleta, o combustível pode ser fluir para tubo pela depressão abaixo da borboleta. Este pequeno orifício é chamado de glicê de marcha-lenta. O outro parafuso do par visto na foto 1 é identificado como "Lo" (baixa, marcha-lenta) e controla a quantidade de combustível que flui através deste glicê.

Ambos os parafusos Hi e Lo são simplesmente válvulas de agulha. Ao girá-los, você permite que mais ou menos combustível flua pela agulha. Quando você os ajusta, está controlando diretamente quanto combustível flui através do glicê de marcha-lenta e do glicê principal.

Quando o motor está frio e você tenta dar a partida puxando a corda de arranque, ele é acionado em uma rotação bem baixa. Por estar frio, ele precisa de uma mistura bastante rica para dar a partida. É onde entra a borboleta do afogador. Quando ativada, a borboleta do afogador cobre completamente o venturi. Se a borboleta de aceleração está completamente aberta e o venturi está coberto, o vácuo do motor arrasta combustível através do glicê principal e um pouco pelo de marcha-lenta (como a entrada do tubo do carburador está completamente coberta, toda a depressão do motor puxa combustível através dos glicês). Geralmente essa mistura rica permite que o motor pegue uma ou duas vezes, ou funcione bem lentamente. Ao abrir a borboleta do afogador, o motor passa a funcionar normalmente.

(How Stuff Works)